
A eleição para o Governo de Pernambuco tende a ser uma das mais observadas do Brasil. De um lado, João Campos, ex-prefeito do Recife, jovem, popular e herdeiro de uma tradição política forte. Do outro, Raquel Lyra, atual governadora, que vem construindo algo que, na política, costuma valer mais do que discurso: conexão real com as pessoas.

por Paulo Melo*
Na minha visão, João Campos pode até entrar na disputa com barulho, estrutura e apoio nacional, mas Raquel Lyra chega com uma vantagem que cresce todos os dias: ela governa, entrega e aparece. Pernambuco está vendo uma governadora presente, que organizou o Estado, destravou obras, levou ações para municípios de todas as regiões e passou a falar diretamente com o povo.
Raquel entendeu que eleição não se ganha apenas em palanque. Ganha-se na estrada, no contato, na escuta, na entrega e também na emoção. Ela tem conseguido mostrar uma imagem de gestora firme, mas próxima. Uma mulher jovem, preparada, com presença, coragem e carisma. E, agora, até cantando em shows, com uma voz maravilhosa, ela reforça essa imagem de liderança popular, leve e conectada com a cultura do povo pernambucano.
Enquanto João Campos aposta no capital político acumulado no Recife e na proximidade com o presidente Lula, Raquel Lyra amplia sua presença no interior, conversa com prefeitos, visita cidades, anuncia obras e mostra serviço. Essa diferença pode ser decisiva. Pernambuco não é apenas Recife. Pernambuco é Sertão, Agreste, Zona da Mata, Região Metropolitana, litoral e cada município que quer ser visto pelo Governo do Estado.
Por isso, acredito que Raquel Lyra tem grande chance de ser reeleita. Ela conseguiu virar o jogo da percepção pública. O que antes parecia uma eleição difícil, hoje pode se transformar numa vitória construída pela entrega, pela presença e pela capacidade de se conectar com as pessoas.
Já João Campos corre um risco alto. Ao deixar a Prefeitura do Recife para disputar o Governo, pode acabar ficando sem mandato pelos próximos anos. Caso perca a eleição estadual, seu caminho mais provável, especialmente se Lula for reeleito presidente, talvez seja ocupar um ministério a partir de 2027.
Mas, em Pernambuco, quem decide é o povo. E o povo costuma reconhecer quem está perto, quem trabalha e quem entrega. Neste momento, Raquel Lyra parece ter entendido melhor o sentimento do Estado.
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